Fazer compostagem doméstica é um passo significativo para a sustentabilidade pessoal, já que evita desperdiçar um recurso perfeitamente reutilizável. Adotar essa prática é muito importante pois as estatísticas mostram que 30% a 40% de todos os alimentos produzidos no Brasil são perdidos entre a colheita, armazenamento, transporte e consumo. Ou seja, 30% a 40% de todos  os recursos usados na produção (água, adubos, trabalho) não trazem benefício direto algum. Assim, ao fazer a compostagem dos nossos resíduos, ajudamos a reduzir esse número e a quebrar o círculo vicioso do desperdício.

Por essa razão, escrevo aqui alguns passos simples e eficazes que ajudam na adoção dessa prática.

1. Avalie o fluxo dos resíduos – para que a vontade se torne hábito é essencial planejar onde será colocado o minhocário e como os resíduos chegarão até ele. Se tiver pouco espaço, como em apartamentos, uma boa opção é colocar o minhocário na área de serviço. Como esta costuma ficar ao lado da cozinha, vai facilitar o trabalho. Mas se só tem espaço, por exemplo, na varanda e esta ficar um pouco distante da cozinha, avalie adotar um lixo de pia só para os restos de alimentos. Assim você não vai cair na tentação de jogar no lixo comum só porque precisa atravessar a sala toda vez que tiver resíduos. Isso vale para aqueles que moram em casas e cujos minhocários ficam mais distantes. De qualquer forma, o lixo de pia realmente funciona.

2. Verifique a quantidade – antes de comprar ou montar o se minhocário é altamente recomendado que faça um levantamento  sobre a quantidade de resíduos que gera na sua casa. A forma mais simples de avaliar é adotando um lixo de pia, ou outro compartimento com tampa, e verificando quanto tempo leva para enche-lo. Por exemplo, se o seu lixo é de 1,5 litros e levou 3 dia para encher, então sua média de geração para um ciclo de 45 dias será 1,5/3*45 = 22,5 litros. Ou seja, você vai precisar de duas caixas de 22,5 litros ou mais, além de outra que encaixe no conjunto. Para saber como fazer o seu minhocário, clique aqui.

3. Escolha bem o lugar – as minhocas são animais que regulam sua temperatura interna através do ambiente. Assim, quando o tempo está frio, elas ficam mais lentas e pouco produtivas. Já quando está quente, elas ficam mais ativas e produzem mais. Mas se o calor estiver excessivo, elas fogem. Por isso, o lugar o minhocário precisa ser protegido de chuvas diretas, raios solares e ventos. Isso faz com que elas apresentem um melhor desempenho médio. Para saber mais sobre isso, clique aqui e aqui.

4. Prepare-se para começar – além das caixas, das minhocas e dos resíduos, um item é fundamental para evitar problemas com cheiros e moscas: a serragem ou folhas secas. Assim, se tiver como recolher folhas secas para usar, ótimo. Isso é o que temos feito agora, já que temos muitas árvores onde moramos. Mas se não tiver folhas secas à disposição, procure uma serralheria próximo da sua casa. Em geral eles doam essa serragem ou cobram um preço irrisório. Só precisa levar um saco.

5. Não tenha pressa – ao montar ou comprar seu minhocário, a quantidade de minhocas costuma estar em 1/5 do total para o tamanho da caixa. Isso é o ideal para que elas se adaptem ao ambiente. Assim, a princípio, não será possível depositar todo o conteúdo que você produz de resíduos. Nessa fase, só encha as caixas até a metade e deixe compostar pelo prazo indicado (30 a 45 dias). Somente após esse tempo podemos encher as caixas totalmente.

Por fim, lembre-se que compostagem não é uma ciência exata. Muitos são os fatores que influenciam a produção e o que acontece com o meu minhocário pode ser diferente do que acontece com o seu. É preciso respeitar e entender o local em que estamos, além do tempo da natureza. Com alguma prática você vai saber o que funciona e o que não funciona para as suas minhocas.

Se mais dúvidas sobre o manejo do minhocário, confira o nosso Perguntas Frequentes sobre Compostagem Doméstica.

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Elaine Maria Costa
Elaine Maria Costa

Elaine Maria Costa é administradora, coach e permacultora, faz compostagem doméstica desde 2009. Em 2013 mudou-se de uma área urbana para morar numa chácara em Embu das Artes – SP com o objetivo de ter maior qualidade de vida, contato com a natureza e sustentabilidade pessoal.