nav-left cat-right
cat-right

Dia Mundial do Meio Ambiente – uma reflexão

Com a quantidade de informações disponíveis sobre o Dia do Meio Ambiente e suas razões, é quase um sacrilégio alguém não reconhecer sua importância. Mesmo assim, quero ressaltar um aspecto que às vezes é deixado de lado quando tratamos do meio ambiente: nossa dependência em relação a ele.

Quando falamos de salvar ou proteger o meio ambiente precisamos parar de agir como se isso fosse algo a ser louvado. Não é mais do que obrigação! Isto é, se queremos continuar a viver neste planeta.

Nossa dependência dos recursos naturais, cuja propagação depende de um singular equilíbrio, é incontestável. Por isso precisamos parar de pensar como “estou fazendo um grande favor” para agir como “tenho obrigação de cuidar das futuras gerações”.

É fato consumado entre estudiosos do meio ambiente, como o polêmico James Lovelock, que Gaia é capaz de se regular. A questão é saber se nós somos capazes de nos adaptar a essas mudanças. E a resposta é não! Pelo menos, não com a população que temos hoje e nem com a situação de consumo existente.

Assim, mais do que um dia para se lembrar do meio do qual somos dependentes, esse é um dia que devemos nos preocupar com o que estamos fazendo, com as portas que estamos fechando para nós mesmos e com a responsabilidade indelegável da nossa geração em relação à vida das próximas.

Dia Mundial do Meio Ambiente – dia mundial de por a mão da consciência.

Share
Tags: , , , ,

Resíduos sólidos – o descarte adequado é responsab...

É interessante observar as tendências em relação à gestão brasileira sobre os resíduos sólidos. O que antes era um ato voluntário vai, sistematicamente, tornando-ser obrigatório. A nova lei de resíduos sólidos prevê uma série de questões, entre elas a responsabilidade compartilhada pela gestão de resíduos. Ou seja, todos os envolvidos no ciclo de vida de um produto têm responsabilidade pelo seu descarte adequado após o uso. Assim, embora a lei federal não engesse a questão para os consumidores, certamente teremos leis municipais e estaduais para tal. Afinal, sem a colaboração de quem consome, torna-se difícil para os fabricantes dar a destinação correta aos resíduos.

Podemos perceber alguns sinais nesse sentido com a nova lei da cidade de São Paulo em relação à geração de lixo. Todas as empresas que gerarem mais de 200 litros de lixo ao dia estão obrigadas a contratar um serviço privado para destinação. Aquelas que não aderirem correm o risco de ter o alvará cassado. Mas isso deve ser só o começo.

A destinação do lixo tem um custo alto para as prefeituras. Com o atual aumento da geração diária de resíduos por pessoa, em algum momento a tal da “taxa do lixo” vai acabar sendo calculada pela quantidade e qualidade dos resíduos. Isso já ocorre em outros países como o Japão, onde a reciclagem é obrigatória para empresas e pessoas.

Para saber mais sobre a nova lei de resíduos sólidos, veja alguns trechos que considerei mais interessantes na entrevista de Fabricio Dorado Soler concedida à Eco Agência (Fábio Soler é coordenador do Departamento de Meio Ambiente e Sustentabilidade do escritório Felsberg e Associados e especialista em Gestão Ambiental pela USP). A entrevista na íntegra você encontra aqui.

 

Observatório Eco: O que significa a responsabilidade compartilhada na lei de resíduos sólidos?

Fabricio Soler: Antes de tratar do conceito da responsabilidade compartilhada, vale esclarecer o conceito do termo ciclo de vida do produto, que consiste em uma série de etapas que envolvem o desenvolvimento do produto, a obtenção de matérias-primas e insumos, o processo produtivo, o consumo e a disposição final.

Dessa forma, temos que a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida do produto implica no conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços de limpeza urbana, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida do produto.

No âmbito dessas atribuições individualizadas e encadeadas destacamos a responsabilidade dos consumidores, que, pela PNRS estão literalmente obrigados a acondicionar adequadamente e de forma diferenciada os resíduos sólidos gerados e a disponibilizar os resíduos reutilizáveis e recicláveis para coleta ou devolução, sendo, portanto, agentes propulsores da sustentabilidade associada ao ciclo de vida dos produtos.

Observatório Eco: Ou seja, o consumidor é peça chave nesse contexto.

Fabricio Soler: Certamente, pois precisamos ultrapassar algumas barreiras culturais retrógadas que ainda estão arraigadas em parte da sociedade brasileira, afinal em “nossos armários, mesas de escritório, escrivaninhas, gavetas e estantes existem quilos e quilos de resíduos [eletroeletrônicos].

Computadores, impressoras, telefones, aparelhos celulares, entre tantos outros equipamentos eletroeletrônicos, após o devido uso pelos consumidores, são considerados resíduos sólidos, e, portanto, devem ser devolvidos às empresas responsáveis para que tenham destinação ambientalmente adequada.

Observatório Eco: Quais os critérios desta legislação na fixação de multas ambientais? A partir de quando serão exigidas?

Fabricio Soler: O regulamento da PNRS alterou significativamente o Decreto Federal nº 6.514/08, que dispõe sobre infrações e sanções administrativas ao meio ambiente, possibilitando a aplicação de multas que variam de R$ 5 mil até R$ 50 milhões, a quem, por exemplo:

– lançar resíduos sólidos, líquidos ou gasosos ou detritos, óleos ou substâncias oleosas em desacordo com as exigências estabelecidas em leis ou atos normativos;

– deixar, aquele que tem obrigação, de dar destinação ambientalmente adequada a produtos, subprodutos, embalagens, resíduos ou substâncias quando assim determinar a lei ou ato normativo;

– descumprir obrigação prevista no sistema de logística reversa implantado nos termos da Lei no 12.305, de 2010, consoante as responsabilidades específicas estabelecidas para o referido sistema;

– deixar de segregar resíduos sólidos na forma estabelecida para a coleta seletiva, quando a referida coleta for instituída pelo titular do serviço público de limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos;

– deixar de manter atualizadas e disponíveis ao órgão municipal competente e a outras autoridades informações completas sobre a realização das ações do sistema de logística reversa sobre sua responsabilidade; entre outras infrações.

Vale observar que as multas serão aplicadas após laudo de constatação. E mais, os consumidores que descumprirem as respectivas obrigações previstas nos sistemas de logística reversa e de coleta seletiva também estarão sujeitos à penalidade, neste caso, de advertência. Em decorrência das alterações promovidas e das demais disposições legais e regulamentares, as multas e outras punições para descumprimento já são aplicáveis desde logo.

Share
Tags: , , , , , ,

Fraldas de pano: razões econômicas e ecológicas pa...

A primeira fralda de plástico, uma capa plástica feita de cortina de banheiro, foi um avanço no sentido de promover a liberdade para as mulheres. Mas como qualquer inovação, a questão apresenta prós e contras. Se por um lado a fralda descartável tornou possível o crescimento da mulher no mercado de trabalho, com o aumento da população mundial a destinação desses resíduos se tornou um problema.

Pesquisei o assunto e descobri que um bebê pode chegar a usar 5.000 fraldas até os dois anos de idade. Considerando que a estimativa para decomposição desse resíduo é de 450 anos e que cerca de 2% de todo o lixo nos aterros sanitários são fraldas, a questão toma proporções gigantescas. Mesmo com as propostas para reciclar essas fraldas, não podemos esquecer o passivo ambiental originado por mais de quarenta anos de descarte.

Há também o aspecto econômico. Quando falamos de fraldas descartáveis, mesmo adquirindo um produto mais barato, os gastos apenas com fraldas podem ficar em cerca de R$ 2.500,00 nos dois primeiros anos no bebê. Uma pequena fortuna que vai, literalmente, para o lixo!

Mas além da questão econômica, também é preciso avaliar o impacto desses produtos no meio ambiente. As fraldas descartáveis são práticas, mas difíceis de reciclar. Boa parte dos materiais é derivada de petróleo, ou seja, não renovável, demorando gerações para se decompor no meio.

Assim, como uma boa alternativa para a questão, temos as fraldas de pano. Mas, calma! Não falo daqueles tecidos quadrados de algodão. Refiro-me aos modelos modernos, muito semelhantes às fraldas descartáveis, com um excelente forro em tecido super absorvente que substituem as descartáveis sem perda de qualidade e com muito conforto.

Essas fraldas de pano podem ter vários tamanhos ou ter um tamanho único com vários ajustes, se adequando ao crescimento do bebê. Em geral, são feitas em materiais confortáveis e com tecidos internos de alta absorção, evitando que o bebê fique molhado ou frio.

Mas o interessante aqui é a quantidade de fraldas. Enquanto precisaríamos de 5.000 fraldas descartáveis para os primeiros dois anos, apenas 20 unidades do modelo ajustável suprem a mesma necessidade. Por isso, acabam sendo mais econômicas. Para essa quantidade se gasta cerca de R$ 900,00. Uma bela diferença, não é mesmo?

A discussão entre usar ou não fraldas de pano, levando em consideração o aspecto ambiental, passa também pela quantidade de água usada para a lavagem das mesmas. Alguns estudos comparativos já mostraram que, em relação à pegada ecológica da água, as fraldas descartáveis poderiam ser a melhor opção. Ainda assim, o impacto ambiental total do uso de fraldas de pano é significativamente menor que das fraldas descartáveis. Veja o quadro abaixo:

 

Análise de Ciclo de Vida em um estudo da Pegada Ecológica. Fonte: daqui

Assim, desde que corretamente manuseadas, as fraldas de pano apresentam uma pegada ecológica significativamente menor. Mesmo com a falta de tratamento do esgoto (quadro existente até em cidades como São Paulo), a lavagem das fraldas com sabão de côco, ou outro sabão biodegradável , reduz tanto os problemas na geração de resíduos como as chances de desenvolver alergias na criança. Se a fralda for produzida em algodão orgânico ou em tecido sustentável, melhor ainda. Ambas as matérias primas são geradas por processos que buscam o uso racional dos recursos, reduzindo ainda mais o impacto do produto no meio.

Por isso, vale a pena avaliar a questão na ponta do lápis e na lixeira de casa. Não é porque jogamos fora toda semana que o lixo deixa de existir. Ele apenas muda de lugar. E não é muito agradável imaginar-se responsável por uma pilha de 5.000 fraldas usadas, não é mesmo?

Clique aqui e conheça alguns modelos de fraldas ecológicas de pano em nossa loja virtual.

Share
Tags: , , , , , , , , ,

Produtos de limpeza ecológicos ou greenwashing?

Conforme já comentei por aqui, os produtos de limpeza são um problema antigo na questão da poluição do meio ambiente. Embora o nível de fosfato dos produtos esteja controlado por lei, o acúmulo de seus resíduos é inevitável, causando a diminuição da oxigenação da água dos rios e transformando o ambiente hostil para a vida.  Sabe como é: de pouquinho em pouquinho…

Assim, um nicho tão interessante quanto necessário é o dos produtos de limpeza de baixo impacto ambiental – ou ecológicos – que apresentam redução significativa nos níveis de fosfato e derivados de petróleo, além de serem biodegradáveis. Hoje já é possível encontrar vários produtos com esse discurso pelos mercados à fora. Mas como saber se um produto é realmente ecológico, com um menor impacto ambiental, ou se é apenas mais um caso de greenwashing?

Para começar, a grande maioria de nós não está familiarizado com os diversos termos técnicos da área, o que dificulta (e muito) classificar um produto. Estive pesquisando alguns produtos com o discurso ecológico e pude observar que vários deles, embora usem tensoativos alguns insumos biodegradáveis, ainda contém conservantes e corantes derivados de petróleo. Ou seja, que não se degradam em contato com o meio.

Por isso precisamos estar atentos aos rótulos ao fazer as compras. Informações imprecisas, genéricas e ausentes encontramos nos mais diversos produtos. Ter espírito crítico é fundamental para não levarmos gato por lebre.

Usar um produto de menor impacto ambiental pode ser melhor do usar um tradicional. Mas para que um produto de limpeza seja considerado ecológico é preciso que tenha insumos 100% naturais e biodegradáveis, o que boa parte dos produtos com esse discurso não têm. Assim, as opções existentes no mercado ficam bastante restritas.

Nesse contexto, uma linha que gosto muito é a Biowash, da Cassiopéia. Com produtos que vão desde a lavagem de roupas até a limpeza do dia-a-dia, os produtos da linha Biowash são produzidos apenas com ingredientes de origem vegetal, não são testados em animais e possuem certificação pelo IBD – Instituto Bio Dinâmico. Costumo adquirir sempre que encontro nos mercados, mas isso não tem acontecido com muita frequëncia. De uns tempos para cá, os produtos praticamente sumiram. Assim, o jeito é recorrer à loja virtual da empresa.

Mas é possível tornar a limpeza doméstica mais ecológica sem adquirir produtos industrializados.

Existem várias receitas caseiras e eficientes que permitem obter um excelente resultado a baixo custo. São detergentes, sabãos e outros, fabricados com itens simples e fáceis de encontrar, que economizam dinheiro e limpam a casa a um baixo impacto ambiental. Acesse o nosso guia e aprenda a fazer uma limpeza mais ecológica. Sua casa, seu bolso e o Planeta agradecem.

Guia => Como fazer limpeza ecológica

Créditos pela foto: daqui

Share
Tags: , , , , , ,

Entrevista com Alexandre Oelsner da Revira Idéias

Alexandre Oelsner é administrador pós graduado em meio ambiente pelo Coppe/UFRJ e fundador da Revira Idéias, uma loja com a proposta inovadora de oferecer artigos para decoração ecologicamente corretos. Confira a entrevista concedida por ele ao Mais Com Menos.

Mais Com Menos – Conte-nos um pouco sobre você.

Alexandre Oelsner – Sou formado em administração e trabalhava como redator publicitário em uma agencia de propaganda. Minha namorada, Sheina Tabak, é psicopedagoga e trabalha com crianças com dificuldades de aprendizagem. Ela é minha sócia na empresa e me ajuda com a seleção dos produtos.

MCM – De onde surgiu a sua preocupação com as questões ambientais?

AO – Não tenho certeza de como surgiu minha preocupação ambiental. Talvez por eu ter uma grande ligação com os animais (não como carnes há quase 10 anos), uma coisa tenha me levado a outra. E acabou que comecei a sentir falta em meu dia-a-dia de fazer algo que realmente tivesse um impacto positivo na vida de todos. Pesquisando diversos caminhos, acabei entrando na pós-graduação executiva em meio-ambiente do Coppe/UFRJ.

MCM – De onde veio a ideia de criar uma loja para comercializar produtos ecológicos?

AO – Pouco meses depois, no final do ano passado, foi quando minha namorada e eu resolvemos morar juntos. Queríamos uma decoração ecologicamente correta, e  vimos o quão difícil foi encontrar produtos que se encaixassem neste conceito. Procurávamos em diversos lugares e, no máximo, encontrávamos uma coisa ou outra no meio de milhares de outras.

Pesquisando pelo Brasil todo, descobrimos que existem sim diversos produtos eco-sustentáveis disponíveis. Só faltava alguém facilitar a vida de quem procura e de quem produz, através de um canal específico para isto.

O planejamento da loja só começou em Janeiro deste ano e o site começou a funcionar em Agosto.

MCM – Como foi o processo de escolha dos fornecedores e dos produtos?

AO – Durante o planejamento do negocio começamos a procurar por fornecedores em  todo o pais. Não conhecíamos nenhum antes. Chegamos a ir a duas feiras em SP, mas de centenas de expositores, apenas 2 ou 3 serviam… Por isso dedicamos bastante tempo nesta busca.

Quando encontrávamos algo que preenchia os critérios (produzido com material reciclado ou reaproveitado, bonito, bem acabado e desenvolvido de uma maneira onde o produtor receba um valor justo), pedíamos fotos. Não tínhamos como viajar o Brasil inteiro, então assumíamos o risco.

MCM – Quais os cuidados que vocês têm para garantir a procedência sustentável dos produtos?

AO – A procedência sustentável é garantida através do contato direto com o artesão ou designer e de pesquisas na internet.

Todos nossos produtos são de materiais reciclados, reaproveitados, biodegradáveis ou recicláveis. E nossos parceiros são designers, cooperativa de artesãos e ONGs de diversos Estados do país (RJ, SP, MG, AC, PR, SC, PI, PE, AC, ES, …). Como praticamos o comércio justo, não trabalhamos com consignação. Os produtos são encomendados e armazenados em nosso estoque. Dessa maneira o artesão recebe na hora pelo que produziu e o cliente recebe o seu pedido em poucos dias.

MCM – Na sua opinião, qual a principal contribuição da Revira Idéias para a nossa sustentabilidade pessoal e planetária?

AO – Sustentabilidade é fundamental para o funcionamento da empresa. Buscamos cumprir com requisitos importantes do campo da sustentabilidade como trabalhar com o que é ecologicamente correto, economicamente viável e socialmente justo. Isso tem sido uma constante na nossa vida tanto pessoal quanto profissional e esperamos que essa tendência de buscar uma vida mais sustentável seja objetivo de todos. A pauta da sustentabilidade, por mais que seja bastante atual, ainda não é tão levada a sério e as pessoas tem usado esse conceito de forma equivocada. Com a Revira Ideias, esperamos contribuir para que a sustentabilidade faça cada vez mais parte da vida das pessoas.

Para conhecer a loja acesse www.reviraideias.com.br

Share
Tags: , , , ,
Página 1 de 3123