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Fraldas de pano: razões econômicas e ecológicas pa...

A primeira fralda de plástico, uma capa plástica feita de cortina de banheiro, foi um avanço no sentido de promover a liberdade para as mulheres. Mas como qualquer inovação, a questão apresenta prós e contras. Se por um lado a fralda descartável tornou possível o crescimento da mulher no mercado de trabalho, com o aumento da população mundial a destinação desses resíduos se tornou um problema.

Pesquisei o assunto e descobri que um bebê pode chegar a usar 5.000 fraldas até os dois anos de idade. Considerando que a estimativa para decomposição desse resíduo é de 450 anos e que cerca de 2% de todo o lixo nos aterros sanitários são fraldas, a questão toma proporções gigantescas. Mesmo com as propostas para reciclar essas fraldas, não podemos esquecer o passivo ambiental originado por mais de quarenta anos de descarte.

Há também o aspecto econômico. Quando falamos de fraldas descartáveis, mesmo adquirindo um produto mais barato, os gastos apenas com fraldas podem ficar em cerca de R$ 2.500,00 nos dois primeiros anos no bebê. Uma pequena fortuna que vai, literalmente, para o lixo!

Mas além da questão econômica, também é preciso avaliar o impacto desses produtos no meio ambiente. As fraldas descartáveis são práticas, mas difíceis de reciclar. Boa parte dos materiais é derivada de petróleo, ou seja, não renovável, demorando gerações para se decompor no meio.

Assim, como uma boa alternativa para a questão, temos as fraldas de pano. Mas, calma! Não falo daqueles tecidos quadrados de algodão. Refiro-me aos modelos modernos, muito semelhantes às fraldas descartáveis, com um excelente forro em tecido super absorvente que substituem as descartáveis sem perda de qualidade e com muito conforto.

Essas fraldas de pano podem ter vários tamanhos ou ter um tamanho único com vários ajustes, se adequando ao crescimento do bebê. Em geral, são feitas em materiais confortáveis e com tecidos internos de alta absorção, evitando que o bebê fique molhado ou frio.

Mas o interessante aqui é a quantidade de fraldas. Enquanto precisaríamos de 5.000 fraldas descartáveis para os primeiros dois anos, apenas 20 unidades do modelo ajustável suprem a mesma necessidade. Por isso, acabam sendo mais econômicas. Para essa quantidade se gasta cerca de R$ 900,00. Uma bela diferença, não é mesmo?

A discussão entre usar ou não fraldas de pano, levando em consideração o aspecto ambiental, passa também pela quantidade de água usada para a lavagem das mesmas. Alguns estudos comparativos já mostraram que, em relação à pegada ecológica da água, as fraldas descartáveis poderiam ser a melhor opção. Ainda assim, o impacto ambiental total do uso de fraldas de pano é significativamente menor que das fraldas descartáveis. Veja o quadro abaixo:

 

Análise de Ciclo de Vida em um estudo da Pegada Ecológica. Fonte: daqui

Assim, desde que corretamente manuseadas, as fraldas de pano apresentam uma pegada ecológica significativamente menor. Mesmo com a falta de tratamento do esgoto (quadro existente até em cidades como São Paulo), a lavagem das fraldas com sabão de côco, ou outro sabão biodegradável , reduz tanto os problemas na geração de resíduos como as chances de desenvolver alergias na criança. Se a fralda for produzida em algodão orgânico ou em tecido sustentável, melhor ainda. Ambas as matérias primas são geradas por processos que buscam o uso racional dos recursos, reduzindo ainda mais o impacto do produto no meio.

Por isso, vale a pena avaliar a questão na ponta do lápis e na lixeira de casa. Não é porque jogamos fora toda semana que o lixo deixa de existir. Ele apenas muda de lugar. E não é muito agradável imaginar-se responsável por uma pilha de 5.000 fraldas usadas, não é mesmo?

Clique aqui e conheça alguns modelos de fraldas ecológicas de pano em nossa loja virtual.

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Seja sustentável no Natal

É nessa época que podemos medir como está a nossa sustentabilidade pessoal. Com a aproximação no Natal, o que vemos é uma corrida às compras sem critérios e, na maioria das vezes, desnecessárias. Ficamos contagiados com tantas promoções e facilidade que se torna quase irresistível deixar de sacar o cartão e sair com uma sacola debaixo dos braços.

Mas, onde fica a nossa sustentabilidade pessoal? Será que é possível ter um Natal satisfatório e com baixo impacto ambiental?

Sim, é possível. Tanto para a ceia quanto para os presentes encontramos formas criativas e sustentáveis de comemorar. Precisamos apenas de um pouco de tempo e boa vontade.

Ceia de Natal

Use sempre alimentos com procedência conhecida, de preferência que sejam produzidos próximo à sua casa. Se for comprar itens já prontos, como pães e panetones, prefira as produzidas na padaria perto da sua casa. Tudo isso ajuda a fortalecer a economia local.

Se possível, use orgânicos nas suas receitas. Hoje é fácil encontrar nos mercados não só frutas e verduras orgânicas, bem como azeites, arroz, açúcar, outros cereais e até carne. São mais saborosos, saudáveis e possuem um menor impacto ambiental.

Decoração

Se você tem itens de decoração guardados, apenas limpe a poeira e use. Não há necessidade de trocar a decoração de Natal todos os anos pois, com um pouco de criatividade, é possível conseguir uma bela decoração com itens usados.

Por exemplo, use itens naturais na decoração, como pinhas, flores secas, galhos secos, entre outros. Experimente colocar algumas pinhas ao natural dentro de uma bandeja sem uso para obter um lindo arranjo de mesa. Enfeite com fitas ou flores para dar cor e está pronto.

Aparador decorado com pinhas, velas e flores secas

Para a árvore de Natal, uma boa opção é usar alguma planta que já possua em casa, um grande galho seco ou várias estacas secas. Pinte os galhos ou estacas com tinta spray sem solvente e monte conforme o espaço disponível. Use pinhas, folhas e flores para decorar.

Você também pode montar a sua árvore usando pinhas, cola a quente e spray na cor dourado (que use água como solvente, de preferência). Basta colar as pinhas em três ou quatro níveis, no formato de um pinheiro. Fixe com a cola em uma base firme, como um pedaço de madeira, e pinte as pontas das pinhas com o spray. Deixe secar e decore da forma tradicional ou usando itens naturais como flores e folhas secas. Veja um exemplo na foto abaixo:

Árvore de Natal feita com pinhas
Árvore de Natal feita com pinhas

Presentes

Além de sustentável, abrir-se para novas opções de presentes pode ser criativo e econômico:

1 – Presenteie longe da indústria do plástico

Brinquedos e jogos de madeira

Todo mundo sabe: brinquedos de plástico são descartáveis. Por isso, para evitar que o nosso dinheiro suado acabe no lixo antes do ano novo, que tal optar por itens em madeira? Esse tipo de brinquedo apresenta uma grande resistência e durabilidade, além de não conter itens tóximos em sua composição. Também costumam ser mais baratos do que os brinquedos tradicionais.

Brinquedos em madeira de artesãos do Embu das Artes (1)
Brinquedos e decoração infantil (2)
Brinquedos, instrumentos musicais, petecas e outros (3)

Bonecas de pano artesanais

Sempre adorei bonecas de pano. Além de lindas, podemos deixá-las sempre cheirosas com óleos essenciais ou perfume. Assim, para presentear nossas pequenas, bonecas e bichinhos de pano são uma ótima opção.

Boneca feita em fuxico

2 – Presenteie de forma sustentável

Cestas com produtos orgânicos e locais

Para quem está sem tempo neste final de ano, outra opção são as Cestas de Natal com produtos orgânicos e regionais. Alguns locais oferecem uma cesta pronta, outros você tem a opção de escolher todos os itens. Veja a lista a seguir:

Composteiras domésticas

Esse é um ótimo presente para dar e receber. Além de economizar reaproveitando o lixo orgânico como adubo, fazer compostagem é uma grande contribuição pessoal para a sustentabilidade planetária. Para quem se interessou,  temos composteiras em nossa loja virtual em quatro tamanhos. Com certeza um dele se adequa ao seu estilo de vida. Clique aqui para saber mais.

Artesanato

Quando compramos artesanato ajudamos o artesão a continuar com a sua obra, fortalecendo também a região em que ele trabalha. Itens de artesanado são únicos. Dificilmente encontramos um igual a outro. Assim, para presentear de forma original, busque produtos oriundos de artesanato local ou que sejam comercializados por empresas que praticam o comércio justo.

Um ótimo lugar para encontrar esses itens são feiras de artesanatos, como as realizadas todos os finais de semana no centro de Embu das Artes. Dê uma olhada em alguns itens que encontrei por lá:

Lápis coloridos e bebidas regionais (2)
Árvore em metal reciclado (3)
Vasos em cerâmica e fruteiras (3)

Onde encontrar artesanato pela internet:

Reviraideias – decoração socialmente justa e ambientalmente correta

Reciclamundo – reciclagem e artesanato

Artesanato na Rede

3 – Presenteie experiências

Passeios, viagens, shows e aventuras na natureza

Quem disse que um presente precisa ser físico? Outra forma de presentear é oferecendo experiências, tais como esportes radicais, passeios culturais ou ecológicos, shows, teatros, entre outros. Não há nada mais gostoso do que uma boa vivência. E essa sensação pode ser muito melhor do que um presente comprado apenas para marcar presença.

Serviços

Quem não gosta de uma boa massagem relaxante com óleos essenciais? Ou uma pedicure completa com direito a massagem? E um dia no spa, então? Essas e outras opções de serviços podem se mostrar presentes originais e de grande utilidade. Para ficar melhor, se presentei também e compartilhe com alguém especial.

4 – Presenteie com personalização

Biscoitos natalinos

Se o forno for grande, em poucas horas é possível ter biscoitos para presentear a família toda. Veja duas das minhas receitas favoritas que sempre funcionam:

# Biscoito Integral Delicioso

Ingredientes:

  • 50ml de óleo
  • 1 ovo
  • 3/4 xícara de açúcar mascavo
  • 1 xícara de farinha de trigo integral
  • 1/4 de colher (chá) de bicarbonato de sódio
  • 1/2 colher (chá) de fermento em pó
  • 2 colheres (chá) de linhaça dourada em pó
  • 1 colher (chá) de canela

Como fazer:

  1. Bata bem o óleo com o ovo
  2. Acrescente o açúcar e bata até que esteja homogêneo
  3. Junte os ingredientes secos e bata até homogeneizar
  4. Faça bolinhas com 2 colheres de chá
  5. Asse no forno micro-ondas em potência máxima por 1 minuto, ou asse em forno à 200°C por aproximadamente 10 minutos

Fonte: daqui

# Biscoito amanteigado

Ingredientes:

  • 100 g de açúcar
  • 200 g de manteiga
  • 300 g de farinha de trigo

Como fazer:

  1. Misture bem todos os ingredientes
  2. Em uma tigela faça “bolinhas? (ou qualquer outro formato), coloque-as em um tabuleiro untado
  3. Leve para assar em forno quente
  4. Obs: Os biscoitos devem ficar clarinhos

Fonte: daqui

Sugestão: Para completar o presente, coloque os biscoitos em caixas de madeira artesanais ou cestos de vime forrados com papel vegetal.

Geléias

Frutas e vidros decorados fazem a festa para quem adora doces. Veja algumas receitas:

# Geléia de amora

Ingredientes:

  • 3 xícaras de amora (pode substituir por morango ou mirtilo)
  • 1 xícara de mel

Como fazer:

  1. Deixe cozinhar até engrossar o caldo e as frutas quase se dissolverem

# Geléia de Banana sem Açúcar

Ingredientes:

  • Bananas d’água bem maduras, quantidade à gosto

Como fazer:

  1. Amassar as bananas.
  2. Cozinhar em fogo muito baixo (quase apagando) durante aproximadamente 3 ou 4 dias, desligando o fogo na hora de dormir. Procure cozinhar em uma palena que tampe bem. Mexer com uma colher de pau a cada 30 minutos aproximadamente. O doce fica pronto quando, ao mexer, é possível visualizar o fundo da panela.

Fonte: daqui

# Geléia de maçã

Ingredientes:

  • 2 kg de maçãs verdes cortadas em quartos e sem o cabinho

Como fazer:

  1. Coloque as frutas numa panela, junte água até quase cobri-las e cozinhe sem tampar, por aproximadamente 40 minutos. Passe as frutas e o suco por um coador. Deixe escorrer sem apertar. Meça o suco recolhido, coloque numa panela grande esmaltada ou de aço inoxidável.
  2. Leve ao fogo brando, sem tampar, e deixe em fervura lenta por cerca de 5 minutos, escumando sempre que necessário. Junte 200 a 250 grs de açúcar para cerca de 250 ml de suco, e mexa até dissolvê-lo bem. Cozinhe até tomar ponto e despeje a geléia em frascos quentes e secos. Feche hermeticamente

Fonte: daqui

Sugestão: Coloque a geléia em potes decorados.

Conservas

Receitas simples garantem um presente delicioso:

# Abobrinha em Conserva

Ingredientes:

  • 10 abobrinhas
  • 2 colheres de (sopa) de glutamato monossódico
  • 250 ml de aceto balsâmico
  • ½ litro de azeite de oliva
  • 3 cebolas picadas

Como fazer:

  1. Corte as abobrinhas em rodelas finas.
  2. Coloque o azeite em uma frigideira e deixe-o esquentar bastante.
  3. Frite toda a abobrinha até ela dourar e reserve em um recipiente de vidro ou plástico.
  4. Por último tempere com as cebolas, o aceto e o glutamato monossódico, deixe esfriar e sirva. Deve ser consumida em 15 dias e mantida em geladeira. Acompanha torrada ou pão fresco.

Fonte: daqui

# Conserva de Pimenta

Ingredientes:

  • 600g de pimentas de sua escolha – de vários tipos
  • 250ml de aguardente ou vinagre
  • 1 colher (sopa-rasa) de sal
  • 100ml de azeite

Opções de especiarias ou tempero para pimenta em conserva: alecrim, cebola, pimentão, alho, folhas de louro, lascas de canela, ceboletes, pimenta da Jamaica ou qualquer outro tempero ou especiaria de sua preferência.

Como fazer:

  • Processo caseiro de esterilização: Numa panela grande e alta, cubra o fundo com pano de prato, coloque os vidros afastados e distantes das bordas encha com água filtrada e leve ao fogo. Quando levantar fervura abaixe o fogo, tampe a panela e deixe esteriliza por 10 minutos. Desligue o fogo, espere esfriar e retire da água.
  • Montagem: Nos vidros esterilizados, coloque a pimenta de sua escolha com o vinagre ou a aguardente, o sal, o azeite, com os temperos ou especiarias que desejar. Use após 15 dias.

Fonte: daqui

Cesta de frutas secas

Essa é uma opção saudável, muito fácil de fazer e com um resultado muito bonito. Compre uma cesta de vime em casas de artesanado. Lave a cesta e deixe secar. Forre com papel vegetal. Acrescente damasco, amendoas, castanhas, tâmaras e outras frutas secas. Cubra as frutas com filme plástico, embale a cesta com um saco transparente e acrescente uma fita. Está pronto.

Sachets de ervas aromáticas

Você vai precisar de ervas, tecido (de preferência algodão), cordão, linha, agulha e uma embalagem (que pode ser uma cesta, uma caixa de madeira, vidro decorado, ou outro item artesanal). Para cada sachet faça dois retângulos: um de 5cm x 10cm e outro 6cm x 11cm. Corte uns 10 cm do cordão e reserve. Costure o menor em três lados e vire, deixando a costura para dentro. Insira as ervas e costure a abertura. Costure o maior, também em três lados. Insira o retângulo menor, as duas pontas do cordão e costure a abertura que falta, mantendo as costuras para fora. Dê acabamento nas bordas com uma tesoura de picotar (a melhor opção para quem tem pouco tempo), uma volta de chochet em toda a borda ou com um ponto de acabamento na máquina de costura.

Se possível, use ervas frescas. O aroma é muito melhor. Para secar, basta pegar os galhos da planta, lavar, retirar o excesso de água e deixar, dentro de um saco de papel, pendurado em algum lugar sem incidência direta do sol, mas com algum calor. Depois de uma semana, as ervas estão prontas para uso.

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Contatos dos produtos nas fotos:

(1) Tito e Marianella – fone (11) 4614 4897 ou na Feira de Artesanato do Embu das Artes aos Sábados e Domingos

(2) Cabana do Jacarandá – Largo dos Jesuítas, 145 – fone (11) 4704 2751

(3) Art Secco – Artesanato do Brasil – fone (11) 4704 0128 ou www.artsecco.com.br

Créditos pelas fotos: Mais Com Menos

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Decoração Sustentável – Meu Cantinho Zen

Quem já não sentiu vontade de ter em casa um jardim semelhante aos das revistas de decoração? Confesso que tenho essa vontade a muito tempo, mas estava faltando tempo e dinheiro para colocar os projetos em andamento. Afinal, ou contratamos os serviços de um paisagista ou temos que colocar a “mão-na-massa”.

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Desenvolvimento sustentável é realmente possível?...

World temperaturesEm seu artigo “O Desenvolvimento Sustentável é Compatível com a Civilização Ocidental”, Peter Russel desafia algumas premissas ditas incontestáveis ao mostrar os impactos reais que o desenvolvimento sustentável acarreta. De forma clara e objetiva, o autor nos mostra que um mundo sustentável é possível, mas somente se abrirmos mão do status quo do aquecimento econômico como remédio para todos os males.

Crescimento é sustentável?

A média de consumo de recursos de um ocidental é cem vezes mais do que uma pessoa consumia a duzentos anos, no início da Revolução Industrial e as previsões avisam que haverá cada vez mais bocas para alimentar e mais corpos para abrigar. Mas contrariando o pensamento usual, o crescimento econômico não foi capaz de promover o desenvolvimento necessário para promover a inclusão de todas as pessoas no mundo. De fato, o que vemos é o contrário, principalmente em relação aos negócios que competem em relação ao custo.

“É óbvio que num mundo finito nada que é físico pode crescer infinitamente. Apesar disso, nossa política atual parece aspirar a uma produção física infinitamente crescente.” Herman Daly autor do livro For the Common Good

A livre iniciativa não é mais tão benéfica como nos tempos de Adam Smith. Hoje o que vemos é uma sucessão de iniciativas visando atender a interesses exclusivamente individuais e que não consideram os interesses coletivos. Corrupção, furto, fraude e outras atitudes enganadoras mostram que todas as sociedades estão cheias de pessoas que se comportam única e exclusivamente para atender seus próprios interesses, e não agindo para promover o bem comum.

Juros e empréstimos

A cobrança de juros também é algo a ser questionado. Antes chamada de agiotagem, essa prática foi advertida no Antigo Testamento (Êxodo 22:25 e Deuteronômio 23:20) e até declarada ilegal pelo judaísmo. Para Aristóteles, consistia no mais injusto de todos os negócios e durante séculos foi considerada ilegal pelas leis canônicas da Igreja Romana, além de ser proibida pelo Alcorão.

Essa prática tende a fazer o rico mais rico e o pobre mais pobre, já que uma mesma quantidade de dinheiro, quando emprestada, passa a valer mais dinheiro. Quem empresta recebe um valor a título de aluguel, e quem paga precisa devolver o objeto do empréstimo mais o valor do aluguel. Mas, diferentemente de quando alugamos uma casa ou um carro, dinheiro é só uma idéia de valor, e não algo real; o tomador pode fazer algo de significativo com o dinheiro, mas o emprestador não fez nada.

Por fim, os empréstimos a juros são os grandes vilões da inflação, pois aumentam a quantidade de dinheiro em circulação para uma mesma quantidade de bens, fazendo o valor do dinheiro cair.

Democracia e suas prioridades

A forma em que a democracia é usada hoje é algo a ser repensado. Se o único objetivo dos políticos é atender aos interesses de seus eleitores, e se esses interesses não forem bons para a sustentabilidade de nossa sociedade, então os representantes eleitos terão como última prioridade fazer acordos para atenuar as mudanças climáticas. Isso acontece porque, gostando ou não, nossos interesses nunca estão verdadeiramente conectados ao longo prazo. Todas as nossas necessidades são imediatas e não podem esperar. Por isso, votamos naquelas pessoas que poderão nos dar o que queremos, e não o que realmente precisamos.

Apego ao nosso estilo de vida

O apego aos nossos estilos de vida é o grande responsável por nossas atitudes em relação ao desenvolvimento sustentável. Aprendemos a condicionar nosso bem-estar interior ao que está ao nosso exterior. Por isso, quanto mais consumimos para melhorar o exterior, achamos que isso nos fará mais felizes. O problema é que “o que é demais nunca é o bastante” (Legião Urbana).

Então, quando pensamos nas mudanças que seriam necessárias para aumentar nossa sustentabilidade, fica evidente que tais mudanças sacrificariam muito do nosso conforto atual e, infelizmente, ainda não estamos prontos para abrir mão dele. A pergunta então é: quando estaremos dispostos a fazer o que é necessário? Será que esse momento não chegará tarde demais?

Buscando respostas no mundo interior

“A esperança de todas as pessoas, em última análise, é simplesmente de ter paz de espírito.” Dalai Lama

Enquanto nosso ânimo estiver associado a preocupações e inquietações do mundo exterior, não haverá paz de espírito. Tal como Nasrundin, o sábio louco dos contos Sufi, que perdeu sua chave dentro de casa e foi procurar na rua pois lá fora havia mais luz, buscamos as respostas a nossas inquietações fora de nós mesmos; e nunca vamos encontrá-las enquanto não olharmos para dentro.

Referências

O artigo O Desenvolvimento Sustentável é Compatível com a Civilização Ocidental de Peter Russel pode ser encontrado no livro O Novo Negócio dos Negócios da Editora Cultrix Amana-Key

Créditos pela foto: Arenamontanus (cc by)

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Dia do Consumidor: o que comemorar?

Muito foi conquistado desde o discurso  do  presidente  Jonh  Kennedy, em 15 de março de 1962, que declarou:  …  “ os  consumidores  constituem  o  mais  importante  grupo  econômico (…)  e  o  único  grupo  importante  da  economia  cujas  opiniões  não  são  escutadas. Consumidores,  por  definição,  somos  todos  nós”. Por isso, a data foi escolhida para comemorar o Dia do Consumidor (fonte: Associação Brasileira de Desefa do Consumidor)

No Brasil, os anos 60 foram palco da Lei Delegada n.º 4 de 1962, visando garantir a livre distribuição de produtos. Nos anos 70, o Governo do Estado de São Paulo criou o primeiro órgão de proteção ao consumidor, o PROCON. No começo da década de 90 foi sancionada a Lei 8.078,  conhecida como Código de Defesa do Consumidor.

Embora ainda hoje o respeito ao direito do consumidor não tenha alcançado o ideal olímpico, a questão do consumo como propósito de vida é ainda menos considerada. Por isso, em tempo para ressaltar a representatividade do Dia do Consumidor, compartilho alguns tópicos que considerei interessantes na minha pesquisa sobre o assunto.

Considerações sobre consumo

O Professor Anderson Moebus Retondar apresenta uma definição que considerei extremamente acertada para a questão do consumo:

“A sociedade de consumo caracteriza-se, antes de tudo, pelo desejo  socialmente  expandido  da  aquisição  “do  supérfluo”,  do excedente,  do  luxo.  Do  mesmo  modo,  se  estrutura  pela  marca  da insaciabilidade,  da  constante  insatisfação,  onde  uma  necessidade preliminarmente   satisfeita   gera   quase   automaticamente   outra necessidade, num ciclo que não se esgota, num continuum onde o final do ato consumista é o próprio desejo de consumo.”

A difusão dessa formato de pensamento teve início no século XVIII, na Europa Ocidental, acelerando-se após a segunda metade do século XX.

Apartir desse momento houve uma mercantilização de áreas da vida antes consideradas fora da questão do consumo, como a família, a escola, a ética, etc. Na resenha do livro a Felicidade Paradoxal: ensaio sobre a sociedade de hiperconsumo de Gilles Lipovetsky, feita pela Professora Isleide A. Fontenelle, é ressaltado que:

“Trata-se do estágio de erosão de  qualquer  referência  institucional e da emergência de um novo tipo de consumo subjetivo, emocional ou experiencial, muito mais voltado para a satisfação do eu do que para a exibição social e a busca de status, anseios que teriam caracterizado a segunda fase.”

O autor também comenta sobre o conceito de consumo consciente que, segundo ele, seria negar o fato do consumidor ser manipulado pelas marcas através da desorientação e das dúvidas sobre qual escolha fazer. Sobre esse ponto, acredito que Lipovetsky esteja se referindo à busca das empresas em se mostrar mais sustentáveis do que são, tentando fazer o consumidor acreditar em meias verdades ou criando dúvidas sobre o real compromisso socio ambiental da instituição.

À despeito do lado obscuro do consumo, segundo a resenha, Lipovetsky não o considera como o maior dos problemas:

“Esvaziada de valores, resta à sociedade depositar no consumo os ideais de  moralidade,  ética,  solidariedade, enfim, de felicidade. Tratar-se-ia, portanto, de não demonizar o consumo, mas de desinvesti-lo de um ideal fadado ao fracasso.”

O ponto crítico continua sendo a perda dos valores e identidades sociais, criando referências de comportamento falsos e incompletos. O que vemos é o uso do hábito de consumir como um refúgio para as ausências de propósitos. Cada vez mais, a busca por status se sobrepões à busca por sentido.

Concluindo

Conquistamos muito no campo de Direitos do Consumidor, mas ainda estamos engatinhando em relação aos nossos DEVERES. Segundo o filósofo Teilhard de Chardin, “nenhum homem é uma ilha”; somos todos dependentes uns dos outros.

Precisamos reconhecer que a falta de harmonia entre o homem e o meio ambiente é, antes de tudo, fruto do estilo de vida adotado pela sociedade atual. Somente uma mudança profunda em nossos hábitos poderá minimizar o problema.

Créditos pela foto: somegeekintn

Bibliografia:

Associação Brasileira de Defesa do Consumidor. Breve Histórico.

RETONDAR, Anderson Moebus. A (re)construção do indivíduo: a sociedade de consumo como “contexto social” de produção de subjetividades.

FONTENELLE, Isleide A. Os Paradoxos do Consumo. Resenha.

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