Escolhendo produtos através da relação custo/benefício

Depois de definir uma necessidade de consumo, conforme descrevi no artigo “A melhor escolha do produto e a necessidade de comprar” no Dinheirama, é o momento de avaliar alguns aspectos financeiros ligados ao ato de comprar. Mas não pretendo falar sobre as vantagens de pagar tudo à vista, ou das desvantagens de assumir dívidas além da sua capacidade de pagamento. Na verdade, para esses assuntos indico a leitura dos artigos “O grande segredo de ter metas financeiras”“Educação financeira: um estilo de vida”“Pagar juros ou recebê-los? Você decide!”.

O objetivo deste texto é ajudar a avaliar o preço de um item segundo sua capacidade de atender às nossas necessidades. Quantas vezes nos sentimos incapazes de tomar uma decisão diante de tantas opções disponíveis? Em alguns casos, para evitar comprar menos do que precisamos, optamos por produtos com mais recursos, acreditando que assim estaremos investindo no melhor. Passado algum tempo, fica claro que não precisávamos de tudo aquilo.

No sentido contrário, podemos comprar artigos simplificados em razão do preço acessível e acabar gastando mais em razão da baixa durabilidade e qualidade do item. Assim, avaliar o aspecto financeiro é mais do que simplesmente comparar preços. Significa fazer boas escolhas a um preço adequado, buscando a melhor relação custo/benefício disponível.

Mas como calcular a relação custo/benefício?
Muito se fala sobre usar a relação custo/benefício como referência para tomadas de decisão, mas nem sempre é fácil calculá-la. Pensando nisso, pesquisei algumas técnicas para ajudar no cálculo da relação custo/benefício para produtos ou serviços.

Em geral, para determinar essa relação é preciso comparar o sacrifício necessário para obter alguma coisa e a recompensa que essa escolha irá proporcionar. Assim, uma forma de calcular essa relação é quantificar o benefício por meio de uma avaliação objetiva e dividir os custos pelo resultado dessa avaliação, conforme a seqüência abaixo:

  1. Relacione as características do produto ou serviço que você precisa. Use aquelas dos produtos que já pesquisou como referência;
  2. Classifique essas características atribuindo pesos segundo sua importância usando a escala de 1 a 5, sendo 1 para aquelas com de menor importância e 5 para as que não podem faltar;
  3. Em seguida, avalie cada característica do produto com notas de nota de 1 a 5, sendo: 1 – não atende; 2 – atende em alguma coisa, mas deixa muito a desejar; 3 – atende, mas parcialmente, pois você gostaria de algo melhor; 4 – atende totalmente a sua necessidade atual; 5 – não só atende a sua necessidade atual, como também apresenta recursos que vão atender você no futuro (estabeleça seu horizonte de tempo);
  4. Após as avaliações, multiplique o peso pela nota, somando o resultado das características por produto. Essa será a nota de avaliação;
  5. Para calcular o custo do produto em relação ao benefício, divida o custo total para aquisição do item pela nota obtida. O produto com menor valor resultante será aquele com melhor custo/benefício.

Se você se interessou pelo método proposto neste artigo, faça o download da planilha de avaliação de custo/benefício (clique aqui). Para entender melhor como avaliar os resultados e valores apresentados, use como referência o exemplo que será dado no próximo parágrafo.

Exemplo de aplicação desse método
Digamos que estou considerando a aquisição de um leitor de livros digitais (e-books). Apesar do preço não ser uma fator inibidor, certamente precisarei importar, o que aumenta seu custo e impede devoluções. Assim, preciso fazer uma escolha acertada para não acabar apenas gastando dinheiro.

Primeiro, pesquiso as características principais em leitores de livros digitais e as relaciono, atribuindo-as um peso segundo o grau de importância que têm em relação à necessidade que preciso atender. Em seguida, faço a avaliação de cada uma das características por produto, também observando a minha necessidade, e multiplico as notas pelos pesos, somando os resultados. Depois é só dividir o custo total de cada produto pela nota obtida. Nesse exemplo, a tabela ficaria conforme abaixo:

Para esse processo de compra, o produto com melhor custo/benefício é o Modelo B, que apresenta um custo de aquisição mediano e os principais recursos que necessito.

Algumas considerações
Ressalto que o método descrito anteriormente não se aplica apenas às características objetivas de um item. É possível usá-lo também para comparar questões como prazo de entrega, condições de pagamento, durabilidade, assistência técnica, custo de manutenção, garantia estendida, despesas com seguros, entre outros. Ou seja, apresenta a flexibilidade necessária para se adequar a vários tipos de processos de compra pessoal.

Mas, além dos aspectos práticos e financeiros, existem outras questões que estão inseridas em nossas escolhas de consumo, mesmo que não sejamos capazes de perceber. São os aspectos sociais e ambientais, dos quais falarei no próximo artigo. Até lá!

Créditos pela foto: Consumer Confidence Fairy by petesimon (cc by)

Publicado originalmente no Dinheirama.

Para ler outros artigos da autora no Dinheirama clique aqui.

About The Author

Elaine Maria Costa

Elaine Maria Costa é administradora, coach e permacultora, faz compostagem doméstica desde 2009. Em 2013 mudou-se de uma área urbana para morar numa chácara em Embu das Artes – SP com o objetivo de ter maior qualidade de vida, contato com a natureza e sustentabilidade pessoal.

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  • Pingback: Valores Reais » Como avaliar se *qualquer coisa* tem uma boa relação custo/benefício()

  • Excelente artigo, Elaine!

    Gostei bastante da avaliação quantitativa da relação custo/benefício, por meio de parâmetros objetivos. Vou até rever um artigo que estou para publicar em meu blog sobre esse tema, acrescentando as informações aqui publicadas, pois tem tudo a ver com o tema que irei debater.

    E, aproveitando o ensejo, agradeço a citação do meu artigo no Dinheirama!

    É isso aí!
    Um grande abraço, e que Deus os abençoe!

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